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REDAÇÃO PARA AS MULTIDÕES

Texto de Ricardo Labuto Gondim.

Fui professor de redação publicitária por mais de três anos na UniverCidade do Rio. As turmas tinham 30 alunos, mas somente a primeira aula era coletiva. As outras eram individuais. Quem chegava primeiro sentava com o Tio Ricardo, mostrava os trabalhos, tomava um esporro e corrigia comigo. Linha por linha. Palavra por palavra. Depois ia pra casa com o Pedido de Trabalho da semana seguinte. Foi assim em todas as semanas. Nunca saí no horário. Nunca fui tão feliz. E nunca ensinei nada aos meus alunos. Não gerei cópias de minha mediocridade. Expliquei algumas verdades essenciais da vida e disse o que NÃO fazer. Aqui vão 15 regras básicas.

1. O leitor é seu inimigo.
2. O redator publicitário não é pago para escrever, é pago para pensar.
3. Diretores dirigem filmes. Redatores dirigem o público.
4. Você não pode ter certeza de que a formulação do texto é boa enquanto não tentar outras quarenta e nove.
5. Linguagem em publicidade é coisa de segundo grau. Se você apresentar uma redação ruim é porque não trabalhou. Ou precisa voltar ao segundo grau.
6. Ponto de exclamação é para vender alcatra. Não use. Nem para vender alcatra.
7. Se você usar dois pontos de exclamação e eu souber, fuja de casa.
8. Seja implacável.
9. Seja implacável.
10. Seja implacável.
11. Seja implacável.
12. Seja implacável.
13. Seja implacável.
14. Seja implacável.
15. Seja implacável.


Publicado: 26 maio 2015
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3 Comentários via blog

  1. R Bacchi
    26. maio 2015 um 22:23

    Legais os ensinamentos. Só não curto essas proibições conservadoras. Tudo eh ferramenta nessa profissão e na nossa língua. Nunca usei ponto de exclamação em títulos, mas quem sabe um dia eu precise? Ou vc precise? Todo mundo metia o pau em reticências até o Bradesco aprovar o “Vai que…” da Almap. Tá na hora de quebrar esses tabus, esses clichês de professor. Não dá pra ficar jogando recurso fora só pq um dia algum cara conceituado, lá nos anos 50, falou que eh feio. Talvez seja um exemplo distante, mas o brainstorm foi vangloriado e praticamente obrigatório nos processos criativos por anos. Hj ele já eh questionável! E assim vamos evoluindo…

  2. Tássio Mourão
    27. maio 2015 um 18:21

    Falou muito bem, R. Bacchi.
    Chega a ser contraditório esse tipo de pensamento “não use isto, não use aquilo”. O texto não pode ser ouvido, e é pra isso que servem as pontuações, pra dar vida ao texto. Acho válido demais usar pontuações diferentes pra enriquecer o texto.

  3. LFigueiredo
    5. agosto 2015 um 02:20

    Frases atras estava lendo que quem escreve reescreve. Pois bem, seja DONO de sua criacao, isso impressiona, comunica, persuade e cativa. Talvez nem todos estejam buscando ser ‘regradores’ porem comunicadores. Leis sao sempre as mesmas, e nos nao buscamos o ‘de sempre’. Correto?

    #perdoemotecladoeuropeu #perdoeapreguicademudar

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