Arquivo por categoria: Opinião | Dicas

 
 

Frase | Paul Valéry

“Entre duas palavras, escolha a mais simples.
Entre duas mais simples, escolha a mais curta.”

Paul Valéry

Intensivo de redação com Bruno Godinho

testeira

Vai rolar na Escola Cuca o intensivo de redação com Bruno Godinho, atualmente na Leo Burnett Tailor Made.

O curso acontece na sede da escola em São Paulo, sábado, 24, das 10h às 17h, e domingo, 25, das 10h às 14h. Se você quer escrever cada vez melhor, conhecer novas referências, desenvolver textos para diferentes mídias e descobrir dicas de como trabalhar com o seu dupla, esse intensivo é para você.

PROGRAMA:

PARTE I
- O primeiro passo para escrever bem: escrever.
- Quem lê mais escreve melhor.
- Em propaganda, escrever bem é escrever com simplicidade.
- “Falou pouco, mas falou tudo.” Ou, como ser conciso.
- Texto na mídia impressa: o título.
- Os diferentes tipos de título: inteligentes, bestas, divertidos, tocantes, reflexivos.
- Título + imagem. Faça esse casamento dar certo.
- Texto na mídia impressa: curtos e longos.
- Uma boa ideia não sobrevive sem um bom conceito. E vice-versa.
- Quando o redator brilha sozinho: o anúncio All-Type.
- Texto para a TV: se vire nos 30.
- Rádio: o playground do redator.
- Texto para internet. Truques para fazer o internauta não clicar em “skip”.
- Falta de verba não é desculpa para falta de ideia.
- Prazo apertado: muitas vezes, o segredo para despertar o Mohallen que está dentro de você.
- Como apresentar bem as suas ideias.

PARTE II
- Vamos ver se você entendeu. Ou, toma aí um Job pra agora.
- Critério. Desenvolvendo o seu e se adaptando ao dos outros.
- Cuide bem de quem deixa seus títulos mais lindos. Ou, como conviver bem com o seu dupla.
- Não existe falta de vaga para uma pasta realmente promissora.
- Ego. Como evitar se tornar um imbecil.
- O segredo é se divertir. Sempre.
- Considerações finais.

DIAS E HORARIOS
24/05 – Das 10h às 17h (para da de 1h para almoço)
25/05 – das 10 as 14h. (carga horária de 10h)

SOBRE O BRUNO GODINHO
3 leões de prata e 2 de bronze em Cannes, 1 prata no Art Directors Club de NY, 1 ouro e 1 prata no Anuário do CCSP, 1 lápis de prata e 1 lápis de bronze no One Show.

+ SAIBA MAIS E INSCRIÇÕES

O que é preciso dizer? | Ricardo Chester

Para meu caro colega criativo recém-chegado ao mundo da propaganda ou para aquele que tá chegando.
Existe um atalho muito interessante para facilitar a vida de quem tem que criar e aprovar uma campanha.
O atalho nada mais é que uma resposta a uma pergunta muito simples.
A pergunta é: “o que é preciso dizer?”
A respostas é o trabalho que você tem que apresentar e aprovar.
“O que é preciso dizer?” cole nessa pergunta durante a vida toda. E deixe essa pergunta colar em você, a vida toda.
Eu cheguei a colar essa pergunta literalmente na tela do meu computador. Pegava os jobs, estraía a tal respostas, imprimia, recortava e colava no canto da tela.
A cada título ou roteiro que escrevia, lia “o que é preciso dizer”.
Se o trabalho estivesse alinhado com aquilo, o trabalho era apresentável ao meu chefe.
Se não, não.
Fiz isso durante anos.
Quer dizer, faço isso há décadas, desde que ouvi atentamente a dica de um dos meu primeiros grandes diretores de criação, o Tião Teixeira, ainda na década de 90, quando trabalhávamos para a Prefeitura de São Paulo.
Tião, com seu pragmatismo encantador, me dizia: “Chester, isso aqui parece criativo mas é um lixo. Simplesmente porque não diz o que é preciso dizer. O dia que você entender o que é preciso dizer, você será um publicitário. Até lá, apenas um garoto impertinente. Só isso”.
Evidentemente, eu era um garoto impertinente na época em que ouvia isso.
Saia com o ouvido duro, claro, mas aos poucos Tião Teixeira ia chegando onde queria: fazer sua equipe de garotos entender que o importante era dizer o que era preciso ser dito nos trabalhos.
Ok.
Todos nós recebemos briefings todos os dias.
Se nnao estiver claro ali o que “é preciso dizer”, devolva. Debata. Discuta. Chame o atendimento, o planejamento, o garçom da agência, faça os diabos. Mas não comece um job sem entender claramente e de maneira pactuada com os outros departamentos envolvidos na campanha “o que é preciso dizer”.
Arranque a tal frase que você deve colar no canto da sua tela.
Isso vai facilitar muito sua vida.
Na hora de criar, na hora de apresentar o trabalho, seja para seus chefes, seja para o seu cliente. “O que é preciso dizer”.
Quem já trabalhou comigo sabe que antes mesmo da galera me mostrar trabalhos eu abro a conversa pedindo que a equipe me explique “o que é preciso dizer”.
Várias vezes alguns de meus jovens colegas criativos engasgavam logo na saída.
Ou seja, não conseguiam sequer explicar o que tinham que dizer naquele trabalho.
Então eu nem via o trabalho.
Pedia que o time voltasse para a mesa, debatesse um pouco mais sobre o que era preciso dizer e depois sim voltasse com suas sugestões.
Isso rendeu muita cara feia.
Mas eu não me importava. Porque o importante era “o que era preciso dizer”. Faça o teste no seu próprio trabalho.
Deixe uma frasezinha embaixo do seu teclado.
A cada título, ideia ou roteiro, volte nela e dê uma lida.
Aos poucos isso vai entrando pro seu modo automático e sua vida fica mais imples, porque os jobs começa a sair com mais fluidez.
“O que é preciso dizer” também ajuda muito na hora de apresentar uma campanha no cliente.
Várias vezes também usei o seguinte método: pedia ao atendimento que imprimisse bem grande os principais pontos do briefing. Bem grande mesmo. O suficiente pra que esta folha ficasse em pé num cavalete.
Abria a reunião relembrando os pontos do briefing. Mas fazia questão de deixar o cavalete lá, exposto, durante toda a apresentação.
E pedia aos clientes: por favor, a cada ideia que contar aqui contestem com o que vocês lêem aqui nesse cavalete. Porque se a ideia não for coerente com isso aqui, independente de ser boa ou não, a ideia não serve.
Isso funciona muito.
Pode testar que funciona.
Por hoje, era isso que eu precisava dizer.

Ricardo Chester


Texto publicado por Ricardo Chester em seu perfil no LinkedIn. O PutaSacada precisou transcrever o texto para conseguir publicar no blog, por isso, se houver algum erro de digitação, pedimos desculpas.

+ Leia a entrevista que o blog fez com o Ricardo Chester.

4 novos livros na biblioteca do PutaSacada

Criação na
propaganda impressa

Criação na Propaganda Impressa é resultado de um estudo que buscou responder a algumas das questões mais frequentes de alunos que se preparam para a profissão e mesmo de profissionais que querem entender os aspectos teóricos aplicados na propaganda.

Autor: João Vicente Cegato

A Propaganda brasileira depois
de Washington Olivetto

Minucioso estudo das campanhas de Olivetto, analisando desde os verbos e adjetivos empregados com mais frequência nos anúncios e filmes. Esta obra também explora de forma pioneira como as histórias do ‘primeiro sutiã’, do ‘garoto Bombril’ e de tantas outras campanhas de sucesso foram criadas.

Autor: João Renha

Propaganda Ilimitada
Informações preciosas aos que já estão ou pretendem ingressar nessa área. Francesc Petit acumulou em mais de 50 anos de apaixonada atividade grandes experiências que ele transmite no livro com riqueza de observações. São cerca de 30 capítulos em que trata dos mais diversos segmentos dessa indústria tão competitiva.

Autor: Francesc Petit

Mídia Impressa: como fazer um
anúncio de jornal e revista

Na hora de criar, assuma o papel do público e pense no que gostaria de ouvir sobre o produto. Quando for pensar no título, use palavras fortes, que emocionem e levem o leitor às compras. Se o veículo for um jornal, não use fontes muito pequenas ou seriadas. Um pequeno livro com grandes dicas.

Autor: Newton Cesar

Clique e confira a biblioteca completa.

Especial The Copy Book

the_copy_book

Você conhece o The Copy Book? Publicado em 95 pelo D&AD. O conteúdo apresenta depoimento de vários redatores sobre como eles escrevem seus anúncios. The Copy Book é considerado a bíblia dos redatores. David Abbott, Dan Wieden e Neil French são alguns nomes presentes no livro.

Começa semana que vem um especial sobre o The Copy Book aqui no PutaSacada. Acompanhe. Vai valer a pena.

Mostre este post para um Diretor de Arte

intensivo-direcao-de-arte-12

Pessoal, sábado que vem vai rolar um intensivo de direção de arte com Felipe Cama na Escola Cuca. É a chance de você ter contato com um puta profissional e com um conteúdo muito bacana (veja abaixo), além de conhecer a escola CUCA. Quem sabe você não faz o curso completo depois.
Felipe Cama passou pelas agências Dentsu (VP de Criação), DM9DDB (DC), MPM Lintas, Euro RSCG e Salles. Veja aqui um trabalho recente dele.

SOBRE O CURSO:

Data: 22 e 23 de março
Horário: sábado das 10h às 17h e domingo das 10h às 14h.
Valor: R$ 720,00 à vista ou R$ 750,00 parcelado em até 4x no cartão de crédito.
Local: Escola Cuca - R. Heitor Penteado, 1420 – subsolo 1 – Vila Madalena

PROGRAMAÇÃO:

Sábado 22/03
• “No início não era o verbo, era a imagem”: como criar visualmente.
• Direção de Arte para print, para web, para TV, para design. A base é uma só.
• O conceito está em tudo.
• Os ingredientes do bolo: tipografia, ilustração, fotografia.
• Criando com pouca verba, criando com muita verba.
• Referências, referências, referências.
• Job (para ontem).
• Como apresentar seu trabalho.

Domingo 23/03
• Apresentando as idéias.
• Avaliando os trabalhos.
• Arte x Direção de Arte.
• O mercado hoje.
• Manual de sobrevivência na selva.

+ INSCRIÇÕES

Quiz sobre redação publicitária

Seu conhecimento sobre o tema é júnior, pleno ou sênior?
Dê uma pausa no trabalho, responda o quiz do PutaSacada e descubra.
São 30 perguntas sobre redação publicitária.

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10 redatores para você ficar de olho em 2014

lista_10_redatores

1 - John Mescall (McCann Melbourne)
Redator, Diretor de Criação da McCann Melbourne e responsável por “Dumb Ways to Die”, campanha que mais faturou leões no festival de Cannes em 2013. Foram 5 Grand Prix, 18 Gold, 3 Silver e 2 Bronze. Não vai ser nada fácil para o John superar 2013, mas mesmo assim ele está no topo da nossa lista. Fique de olho.
Portfólio: não encontramos.

2 - PJ Pereira (Pereira & O’Deall)
PJ Pereira tem tudo para continuar conduzindo sua agência, a Pereira & O’Dell, pelo caminho dos prêmios. Isso porque depois de levar 3 GPs em Cannes 2013, com o case “The Beauty Inside” para a Intel e a Toshiba, a agência surpreende a cada novo trabalho, como no “The Born Friends Family Portrait”, para o Skype. Por essas e outras, em 2014, é bom ficar ligado nos trabalhos em que o PJ estiver envolvido.
Portfólio: não encontramos.

3 - Hugo Veiga (AKQA London)
Depois de abocanhar nada menos do que 19 Leões só com o case “Real Beauty Sketches“, da Dove, e terminar 2013 como o redator mais premiado no festival, segundo o Cannes Report, Hugo Veiga vê os holofotes da publicidade mundial apontando para seus futuros trabalhos, agora ele está na AKQA de Londres.
Portfólio: diegodelaveiga.com/

4 - Fabio Seidl (Lapiz/Leo Burnett)
O redator e também Diretor de Criação deixou a Ogilvy Brasil para se tornar VP de Criação na Lapiz/Leo Burnett de Chicago. Se por aqui ele já arrebentava nos festivais, imagine agora com uma criação inteira nas mãos.
Portfólio: fabioseidl.com/works/

5 - João Caetano Brasil (Leo Burnett Tailor Made)
João, um dos criativos do premiado “Meu sangue é rubro-negro” para o Esporte Clube Vitória, tem tudo para fazer de 2014 um puta ano na Leo Burnett Tailor Made, já que agora tornou-se Diretor de Criação. João Caetano Brasil terminou 2013 como o 5º redator mais premiado em Cannes, segundo o Cannes Report.
Portfólio: joaocaetano.com.br/

6 - Erick Mendonça (Leo Burnett Tailor Made)
2013 foi um ótimo ano para Erick Mendonça em Cannes. Além de ser um dos Young Lions brasileiros, Erick faturou 5 leões e terminou o festival como o 10º redator mais premiado, sendo o terceiro brasileiro melhor colocado. Também participou do case “Meu sangue é rubro-negro”.
Portfólio: cargocollective.com/erickmendonca

7 - Thiago Carvalho (F/Nazca)
Só o roteiro do premiado “Soul“, para a Leica, seria o suficiente para a gente ficar de olho no criativo em 2014. Mas ele também desenvolveu outros excelentes trabalhos durante o ano, como o filme “Bra x Sil”, para a Nike. Pesquise esses trabalhos e fique de olho no redator.
Portfólio: cargocollective.com/thiagocarvalho

8 - Sophie Schoenburg (AlmapBBDO)
Prata da casa na Almap, Sophie é referência para qualquer ano. Em 2012 levou prata em Cannes para o Getty Images, com o filme “From Love to Bingo“. Em 2013, levou ouro com o “85 segundos”. E se tudo der certo, em 2014 ela leva o GP, rs.
Portfólio: não encontramos.

9 - Toni Fernandes (F/Nazca)
Depois da passagem pela Lew’Lara\TBWA, onde teve como último trabalho o hit “Ex-Maguila” para a Revista GQ, Toni está emplacando cada vez mais peças na F/Nazca. Se o ritmo continuar assim 2014 será o ano. Afinal, ele e seu dupla não param de pôr coisa boa na rua.
Portfólio: cargocollective.com/toni_leonardo

10 - Rodrigo Resende (AlmapBBDO)
Rodrigo Resende é redator na AlmapBBDO e o Young Lions responsável por representar o Brasil na competição de 2013. Ano em que também faturou um leão de bronze em Mobile.
Portfólio: rodrigoresende.net

……

Comente o que achou da lista.
Você já conhecia esses redatores? Segue o trabalho de cada um.

……

Um obrigado para o redator Bruno Mattheus, que depois de muita conversa nos ajudou a chegar nos 10 nomes.

Jornal Super Esportes

Olha que bacana. O Jornal Super Esportes de Recife cometeu um erro de ortografia e em vez de esconder a falha foi humilde e postou em sua fanpage um anúncio pedindo desculpas. Confira:

……

Não é só o treinador que é chamado de burro.
Hoje foi a nossa vez.
E, como sempre, a torcida tem razão.

Pelo erro sem desculpa, pedimos cem desculpas.
Literalmente.

erro-sem-desculpas

…..

Pode contar. Existem cem desculpas.

Brincadeiras de lado. Não deixe que isso aconteça na sua pasta.
Talvez você não encontre uma maneira bacana de pedir desculpas.
:)

Top 10 | Os posts mais lidos em 2013

top10-putasacada

1. Peças originais Fiat | Leo Burnett Tailor Made
Campanha criada pelo redator Mario Cintra.
Veja o post completo.

2. Título benefício
É simples, fácil e muito útil. Analise seu produto ou serviço…
Veja o post completo.

3. Título benefício
O título publicitário deve ser muito mais que uma frase…
Veja o post completo.

4. O Boticário | AlmapBBDO
Campanha criada pela AlmapBBDO em 2006 para O Boticário…
Veja o post completo.

5. 5 dicas de redação
Não existe crase antes de palavra masculina…
Veja o post completo.

6. Frases | Eugênio Mohallem
Se meu fascínio por propaganda foi causado pelo…
Veja o post completo.

7. 10 anos de Mizuno Creation | Talent
Campanha criada pela Talent em comemoração aos 10 anos…
Veja o post completo.

8. Havaianas | AlmapBBDO
Título do Eugênio Mohallem para as Havaianas.
Veja o post completo.

9. Como fazer sua propaganda funcionar | Mídia Impressa
Como fazer sua propaganda funcionar é um clássico best-seller…
Veja o post completo.

10. O alltype mais premiado de todos os tempos | EPA
Depois do premiado case Até onde vai a sua criatividade?, a AlmapBBDO…
Veja o post completo.

PRÉ-TESTE | Ricardo Chester

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Via Instagram do Ricardo Chester

The most persuasive words

As palavras mais persuasivas.
Escolhidas por David Ogilvy em 1963 e pelo jornalista L.M Boyd em 1970.
Alguma dúvida de que você estaria no topo da lista?
Isso também explica muita coisa no varejo.

palavras-persuasivas

Fonte: abccopywriting.com

Oficina de Redação do Zeca Martins em Campinas

Oficina de Redação
SOBRE
Um curso para quem quer se comunicar melhor. A Oficina de Redação Criativa é um curso voltado a estudantes, professores e profissionais de comunicação social. O objetivo é demonstrar na prática que todo participante consegue escrever melhor e com maior poder de persuasão, discutindo ainda a validade e a eficiência de algumas técnicas de construção do texto persuasivo, sua aplicabilidade nas mídias e reações dos variados públicos.

QUANDO?
Sábado, 30 de novembro de 2013.

ONDE?
Espaço Guanabara
Rua Doutor Oswaldo Cruz, 300, Jardim Nossa Senhora Auxiliadora - Campinas, São Paulo.

INVESTIMENTO
Inteiro - R$ 300,00
Sócio da APP - R$ 240,00 (20% de desconto)
Leitor do PutaSacada e estudante - R$ 240,00 (20% de desconto)
Ex-aluno da Mutátil - R$ 240,00 (20% de desconto)

O valor poderá ser parcelado em até 10x.

SOBRE O ZECA MARTINS
sobrePublicitário por mais de 35 anos e autor de diversos livros sobre propaganda e marketing adotados em universidades de todo o país como:
“Propaganda é Isso Aí”, “Redação Publicitária - A Prática na Prática”, “Blog de Papel, Propaganda e Marketing”.

Curso

Mutatil

Real Beauty Sketches: a história de um Grand Prix

Pessoal, esse texto conta a história de “Real Beauty Sketches” e foi retirado do site da Revista Época Negócios. Estou publicando na íntegra. Vale a leitura.


Depois de “Real Beauty Sketches”, para Dove, tornar-se este ano o trabalho mais premiado da história do Festival de Cannes – o CannesLions – com 19 leões (10 ouros, 3 pratas, 5 bronzes e o GP de Titanium), o criativo Anselmo Ramos – que comanda a criação das agências Ogilvy Brasil e David – passou a receber diversas encomendas de um “novo Sketches”.

“Nos últimos meses, em toda reunião que eu vou, ouço: ‘me dá um Sketches’.”, conta.

Todo mundo quer um Sketches para sua marca. Mas nem sempre se tem uma marca que possibilita a criação de um. Na última quinta-feira, Anselmo esteve na Casa do Saber, no Rio de Janeiro (foto), para contar a história de Sketches.

O encontro fez parte de uma série de palestras promovidas pela “Casa”, que tem como objetivo falar do futuro da publicidade e do próprio CannesLions.

“Quando uma coisa dá certo, o problema é que todos querem imitar. Na realidade, o segredo para fazer algo bom e inovador é esquecer o que foi feito. Não fazer nada que se aproxime de Sketches. Já foi, já é passado. Nenhuma imitação funcionará”, destaca o criativo.

Sketches entrou para o nobre hall de ganhadores de Titanium – ao lado da campanha do Obama, em 2009…

e Nike Fuel em 2012…

Para organizar a história do trabalho, Anselmo criou 11 passos, que ele diz que devem ser seguidos à risca e brinca que servem de uma espécie de guia para se construir um trabalho vencedor. Vamos a eles, comentados pelo criativo:

1. Acreditar

Anselmo reconhece o lado “brega” de mencionar o livro “O Segredo” e recomendar sua leitura como parte do processo de exercitar a crença no que se quer como uma maneira de consegui-la.

“É meio brega isso, mas é preciso acreditar. Demorou seis anos para chegarmos aqui. Quando entrei na Ogilvy me lembro de estar na criação e dizer ‘eu sei que somos ruins, mas um dia seremos bons. Um dia ganharemos leão em Cannes. Um dia ganharemos GP em Cannes.’ Se você não acredita que é possível, quem vai acreditar? O universo é burro, então você tem que emitir sinais bons para ele, para que ele o coloque na frequência certa, em direção ao que se quer.”

2. Faça o melhor trabalho para o job que está na mesa hoje.

“Este é o briefing mais importante que você tem. Foque nele. Tudo na vida é consequência. Uma coisa leva a outra. O Titanium aconteceu depois de seis anos, depois de 37 leões que conquistamos para clientes como Burguer King, Hellmann’s, Coca-Cola, Forbes, Sprite. Inclusive o GP de Titanium tem a ver com o leão de ouro que conquistamos para Hellmann’s, que é Unilever, do mesmo grupo. Os clientes da marca Dove pensaram ‘esses caras devem ser bons.’ O cliente de Dove me encontrou numa festa em Cannes no ano passado, quando comemorava os meus leões, e se apresentou: sou o cliente global de Dove e tenho um briefing pra você.“

3. É preciso alinhar sua ambição com a do cliente.

“Isso é muito importante, porque muitas vezes você está com a ambição lá em cima e o cliente quer um trabalho feijão com arroz. Se cliente e agência não estiverem alinhados em relação ao tipo de ideia que se quer, complica. O cliente de Unilever que me encontrou em Cannes me convidou, em outubro de 2012, para ir a Londres dizer para cerca de 100 pessoas da empresa, a minha opinião sobre a marca Dove. Perguntei se eu podia dizer o que eu realmente achava. Ele disse que sim. E assim foi. Fiz uma palestra de duas horas e, entre outras coisas, disse que o último trabalho icônico que eles haviam feito era Dove Evolution, em 2007. Perguntei: o que vocês estão, afinal de contas, fazendo com essa marca? Mostrei para eles dois slides. Ambos continham grupos de marcas, e perguntei a qual dos dois eles achavam que Dove deveria pertencer: se no das marcas da categoria cosméticos – Nivea, Rexona – ou de marcas como Coca-Cola, Google, Nike – ganhadoras de Grand Prix. Naturalmente eles já pertenciam ao primeiro grupo. Mas a cabeça, o mindset, deveria estar no segundo. Eu disse a eles que a marca Dove tem o poder de tornar qualquer ideia, melhor. Algumas marcas têm esse poder: elas elevam a ideia.“

4. Peça o briefing em uma linha.

“O briefing é fundamental para um trabalho. A agência tem que pedir o briefing em uma linha. No nosso caso, demos sorte: os clientes eram bons e o briefing veio, efetivamente, em um linha. Somente uma coisa deve ser comunicada. Qual a mensagem principal que precisa ser comunicada? Sem isso, é complicado. É claro que há informação de background que ajudará a criar. Mas o que se precisa dizer, é na verdade resumível em uma linha.”

Veja o briefing de Dove:
briefing_dove
“Dove queria falar com a mulher, e fazer com que percebesse que é ela a sua principal inimiga.”

5. Tenha só um cliente dono da ideia. No máximo dois.

“O que acontece muitas vezes no cliente é que cinco, seis, sete pessoas trabalham em uma ideia e não se sabe mais quem manda, quem aprova. No caso de Dove, havia dois clientes envolvidos durante todo o processo: o brasileiro Fernando Machado e o inglês Steve Miles. E acabou. É claro que havia mais pessoas envolvidas no trabalho, mas nós só falamos com os dois. Isso é fundamental e é preciso exigir saber quem é o ‘dono da ideia’.”

6. Coloque a criação inteira para pensar e veja literalmente centenas de ideias.

“Foi o que fizemos com Dove. E fazemos muito isso na Ogilvy, abrimos o briefing para toda a criação, somos super democráticos. Algumas agências têm duplas que são estrelas e outras que tocam o dia-a-dia. Na Ogilvy não, todo mundo toca o dia a dia. Todo mundo pode ser estrela. O briefing foi aberto e 115 criativos pensaram nele. E estou contando, claro, todas as empresas do grupo – Ogilvy São Paulo, Ogilvy Rio, Ogilvy Action, Ogilvy One. Abrimos. Dá um trabalho enorme. Vimos tudo durante dois meses.”

7. Apresente algo que você não sabe se vai dar certo.

“A ideia foi crescendo, não nasceu como foi realizada. Nossa apresentação para o cliente teve três ideias. E a que saiu do papel nem foi a que ele gostou mais. Sketches – que originalmente foi chamado de ‘you by you e you by anonymous – foi apresentado como ‘um experimento que prova que as mulheres são mais bonitas do que elas acham’. A ideia era que elas se descrevessem em detalhes e que estranhos as descrevessem também. A dupla criadora – o redator Hugo Veiga e o diretor de arte Diego Machado – encarregou-se de encontrar um desenhista do FBI para tornar isso possível. Dissemos para o cliente que como as mulheres se acham menos bonitas do que realmente são, achavamos que o desenho da esquerda (descrito pelos estranhos) seria mais bonito que o da direita. O cliente perguntou: você tem certeza? Eu eu disse: não. Não garanto nada. O cliente ficou inseguro, foi uma ideia. Uma aposta. Nunca houve roteiro, storyboard ou pesquisa. Mérito do cliente porque apostou, sabia que poderia não dar certo, mas topou arriscar.”

8. Encontre a melhor produtora possível.

“Fomos atrás da melhor produtora possível. Sempre tentamos encontrar o melhor diretor para a ideia, independente de limites geográficos, dinheiro, relacionamentos. Chegamos no John Carey, da Paranoid de Los Angeles. Ele é jovem, não tinha “estourado ainda”. É um documentarista. Foi uma aposta nossa também. Ele escreveu sua visão do projeto – o seu “treatment”, digamos assim. Um documento de 20 páginas. Nosso mindset era: vamos produzir isso da melhor maneira possível.”

9. Entenda que a criação é apenas uma parte do processo.

“O Brasil tem mania de achar que criação é a solução de todos os males. Os criativos brasileiros são muito bons, mas se dão importância maior do que a realidade. A Unilever abraçou a ideia de um jeito que nunca vi antes, e além dela foram responsáveis pelo sucesso a Paranoid, o John Carey, a Rock Paper Scissors (uma casa especializada em edição em Los Angeles), a Lime (que fez a música), a Company3 (de coloristas), a Edelman (que fez o trabalho de PR para ajudar a ‘bombar’ a ideia) e a PHD (empresa de mídia que fez o digital seeding no mundo inteiro). Sem todos eles ideia não teria acontecido do jeito que aconteceu. Foi um trabalho colaborativo de muitas empresas. O Brasil ainda permanece mais no triângulo cliente-agência-produtora. Falta ter mais cuidado com o editor, com o colorista, com o cara da música. Com os detalhes.”

10. Prepare-se para o sucesso.

“É muito importante, porque em geral não fazemos isso. Quando a ideia começou a dar certo, a verba do cliente de repente multiplicou-se por 10. Eles perceberam que havia algo especial acontecendo. E investiram mais. O cliente montou um ‘QG’ de Dove Real Beauty Sketches dentro da Unilever, em Londres. Nunca vi um cliente fazer isso. Havia monitoramento permanente da campanha. Uma equipe de cinco pessoas só fazia isso, em turnos. Inclusive à noite. O head global de Dove convocou a Unilever inteira a capitalizar a ‘oportunidade rara’ que estavam tendo. Mandou um e-mail global, o que nos ajudou muito. Em pouco tempo, traduziram a campanha para 30 idiomas. Quantas vezes ouvi de clientes que o casting tem que ser local? Bullshit. Nosso vídeo era em inglês, com americanos. Mas o insight era humano. Legendado, funciona em qualquer lugar. O cliente investiu em espalhar a ideia, para não deixar que ela fosse uma catedral no meio do deserto.”

11. Diga adeus aos seus criativos.

A dupla Hugo Veiga e Diego Machado já está na AKQA de Londres. Eles receberam propostas até do Google e da Apple. O Diego tem 26 anos e saiu da Miami Ad School – nunca havia trabalhado em nenhuma agência até ir para a Ogilvy. Em três anos, ele tem Real Beauty Sketches no portfolio. Já o Hugo é português e a primeira vez que o entrevistei, ele estava na McCann. Olhei sua pasta e achei muito ruim. Mas gostei dele, o achei legal, engraçado. O mandei voltar em seis meses. Ele voltou e a pasta continuava ruim. Na terceira entrevista, nada. Ele pediu que eu o contratasse e contratei a pessoa. Em quatro anos, ele mudou completamente seu portfolio. Agências do mundo inteiro ligaram para eles – Droga5, RGA, 72nd andSunny, Pereira O’Dell. Isso tudo por causa de uma ideia. Há três anos, Diego nunca havia trabalhado em uma agência. Para mim, ninguém ligou. Em compensação, vários clientes ligaram.”

Fonte: Época Negócios

Oficina do Zeca Martins em Sorocaba e Limeira

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Alô, interior do estado. A Oficina de Redação Criativa do Zeca Martins acontecerá nas cidades de Sorocaba e Limeira. As vagas são limitadas. Faça já a sua inscrição.

IMPORTANTE: DESCONTO GARANTIDO PARA QUEM ACOMPANHA O BLOG.

SOROCABA:
LIMEIRA:

SOBRE A OFICINA:
Um curso para quem quer se comunicar melhor.
A Oficina de Redação Criativa é um curso voltado a estudantes, professores e profissionais de comunicação social. O objetivo é demonstrar na prática que todo participante consegue escrever melhor e com maior poder de persuasão, discutindo ainda a validade e a eficiência de algumas técnicas de construção do texto persuasivo, sua aplicabilidade nas mídias e reações dos variados públicos.

Saiba mais: putasacada.com.br/oficinas

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